zero outra vez

Hoje será sempre a interminável insustentabilidade de ser Ontem, será sempre a soma de variáveis negativas, um progresso de atrasos e um caminhar em sentido inverso. Pelo menos, para Nós, que não nos alimentamos de pó e teias. 
Enquanto isso, enrolam-se as ondas numa vibração assincrónica de marcha lenta. Um slow dançado não por putas, mas por sal e água e gente lá metida: gente normal, normalíssima, superlativamente vazia, aliás, superlativa e absolutamente sintética de tão vazia.
Vejo ao fundo a marginal sulcada de palmeiras. É domingo, as igrejas estão cheias. A minha fé é outra. Não existe como a querem. Não sinto revolta, nem mágoa, nem saudade; sinto tudo, tudo, tudo pelo meio: um ego transbordante e arrebatado por sinais e caras de formas que se dividem pelo somatório das partes.
Seremos a tremenda loucura de, ilesos nos nossos próprios fragmentos, continuarmos lavando a roupa suja que ninguém quer ver limpa.
Como um grande zero que engole o infinito.
Não acredito em mulheres belas nem em homens deslumbrantes. Na felicidade eterna e arrebatadora, na monstruosidade formidável de uma bonita história de amor, na energia das discussões regadas de cólera. Nas grandes e mínimas coisas da Vida que se atiram do canto mais mundano.
Antes o meio termo. Ou o anonimato. Zero, obviamente.
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ainda na sequência do tema da neutralidade, um repost com quatro anos de evolução e uma incompreensível atualidade
estas serão coisas que dificilmente mudam

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